Zappa Eterno


A obra de Frank Zappa talvez seja uma das mais diversificadas dentro de toda a história da música pop; motivo de tratados de estudos e inspiração para inúmeros músicos ao redor do planeta. Indo desde incursões pelo Jazz Rock, flertes com o pop, Blues , doo bop, country, reggae , chegando em obras sinfônicas( particularmente acho estas últimas seu legado definitivo , que o coloca no mesmo patamar de nomes como : Penderecky, Stravinsky e Mahler).
Sem dúvida uma expedição extraterrestre estudando os rescaldos da civilização após o Apocalipse, iria classificar a obra do Maestro no mesmo grau de importância da arquitetura do Egito antigo ,dos filmes do Fellini e dos poema de Joyce.
Zappa era também um guitarrista infernal! Com um som ,pegada e técnica visionários, em seus longos improvisos ao vivo, criava micro composições (bem ao espírito livre do jazz) ,já antevendo toda a sonoridade modal que iria balizar o som dos guitarristas de rock virtuoses pós- Eddie Van Halen, que flertavam com o fusion.
Um dos livros de referência de Zappa , era o Theasurus of Scales and Melodic Paterns, de Nicolas Slomininsky, um tratado sobre a utilização de dissonâncias, cromatismos e padrões na composição erudita contemporânea. O apreço de Frank por este compositor era tamanho que colocou o mesmo para tocar junto com sua banda em algumas ocasiões.
O livro de Slominsky foi referência para alguns dos maiores solistas que a história recente produziu, desde o próprio Frank, até John Mclaughlin, Jonh Coltrane, Allan Holdsworth, Shaw Lane e até mesmo o hermético BucketHead.
Theasures era , antes de mais nada, um livro de referência, em que vários conceitos sobre utilização de dissonâncias era exposto de maneira escalar(sequencial).Um dos efeitos gerados por tais compositores pode ser encontrado em inúmeras sacadas que estão vinculadas a guitarra elétrica e sua peculiar linguagem.
Encontrar as pentatônicas sobre o campo menor melódico, pode ser uma saída de fácíl visualização, a relação entre elas seria:
Dórico 7+ (penta m6)
Frigio 6( penta 6)
Mixo 4# (penta M7)
Mixo 6b (penta M7)
Some todas elas e abuse dos bons clichês pentatônicos( que fazem o rock acontecer em qualquer circunstância) ; ficará surpreso com o efeito modal gerado sobre qualquer acorde/modo da menor melódica)
Não esqueça de emergir nos discos de Zappa que focam em seus improvisos e paisagens sonoras guitarristicas (“Shut up and play yer guitar” por exemplo). Como dica final, vale a pena dizer que como em quase tudo que se trata sobre guitarra , o Blues está sempre presente ; Zappa, não foi exceção , pois sua guitarra bebeu muito nos solos de alguns de seus heróis como o bluesman Johny Guitar Watson .

Márcio Okayama

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