Numa rua da Praça da Àrvore…



“ A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para a frente…. “, foi um célebre citação do filosofo dinamarquês Soren Kierkegaard, precursor do existencialismo.
Em nossa maluca e efêmera existência , mal percebemos que pequenos atos e ações aparentemente singelas tem a força de um Tsunami no definir de nossos rumos.
Como uma vez o Dalai Lama fez a analogia de como um pequeno mosquito pode acabar com o sono de um gigante.Ponto como a distante data , um final de tarde dos já distantes anos oitenta ,ao me deparar com um aluno mais velho da escola que estudava na Vila Mariana em Sampa, com uma guitarra pendurada , enquanto conversava com uma garota loira…um dia de cores difusas na minha memória, parecido com aquele tom desbotado de fotos antigas , tão imitado agora, nos filtros digitais que usamos para envelhecer fotos novas( sintomático, não?).
Eu era um” pivete” e o abismo de gerações era muito maior naqueles distantes anos oitenta…minha mãe comentou com o garoto, que eu já admirava rock, mas nunca tinha visto uma guitarra de perto…
Talvez a centelha do rumo que direcionei minha vida foi lançada naquele dia; talvez anos depois, ou talvez, muito antes em memórias difusas da infância ao brincar com o piano da sala ou admirar uma 335 nas mãos do Gato( nosso primeiro herói da guitarra que acompanhava o Rei em sua fase aúrea), estampada na capa de um velho disco do Roberto Carlos .Seriam brincadeiras na infância, no meio do éter e da poeira cósmica , ou seria tudo isto citado apenas romantismo barato e elocubraçâo? Uma certeza podemos ter: as escolhas sempre acompanham e definem nossos rumos, de maneira subjetiva ou direta; sutil como uma brisa ou forte como um tapa na cara. Saber se reinventar e olhar para frente é obrigação de qualquer profissional e ser humano, nesta era em que vivemos.
Um momento paradoxal, onde parecemos ter tudo e nada ao mesmo tempo.
Talvez seja nossa obrigação achar nossa própria verdade, no meio destes dois extremos que , dizem os sociólogos, caracterizam a nossa era.
Uma era de extremos e infinitas cores difusas entre estes dois limites….
Bem vindos!
Boa sorte a todos nós!

Márcio Okayama

P.S:Em tempo, a guitarra em si pendurada no cara, era uma cópia da Jaguar..talvez uma Super Sonic…

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