O Zen e o solo de uma nota só….


okayama palheta

 

 

Creio que um tópico muito importante reside justamente no “overload” de informação que caracteriza o nosso tempo.

A técnica tem deixado de ser uma ferramenta de construção musical para se tornar um objetivo final;  os meios estão atropelando os fins.

Não me refiro como técnica, unicamente, o desejo em ser um deus da velocidade. Como esta classifico qualquer eficiência na guitarra e na música que se usa para construção sonora.

É muito fácil crer que um mero girar de botões ou utilização de uma determinada escala sobre certo acorde fará com que a verdade da música surja como num passe de mágica.

Muito pertinente é a tese do Zen Budismo que diz respeito à diluição do ego: imaginando que nada somos além de uma gota no oceano.

Passam pela minha  mente os famosos solos de uma nota só,  feitos por Neil Young(Cianamon Girl) e Pete Townshend( I can see for miles e Substitute); nestes, tal  tese fica claramente explícita; num momento em que todo o virtuosismo do guitarrista é evidente,  Pete e Young surpreendem tocando apenas uma nota contra a harmonia da música.

Outro fator muito importante é a pesquisa da musicologia.

Da mesma forma que um estudante de Letras devora livros de todos estilos e períodos (da filosofia Grega, passando pelos russos indo até Machado de Assis), acredito que a premissa sirva para músicos e ouvintes em geral como meio de solidificar um cenário musical mais rico.

Prova disto é o Jazz contemporâneo que surgiu do interesse e paixão de Charlie Parker pela obra de Stravinski ou mesmo como a banda Cachorro Grande tem injetado um ar renovado ao pop brasileiro com seu sabor retrô e conhecimento de causa roqueira.

Um caminho prático para este resultado é tirar o maior número possível de músicas; na realidade é a partir do repertório que conseguimos criar um arquivo de situações musicais que são transformadas em música.

Ao analisarmos um solo de um guitarrista que gostamos, devemos enxergar nele todas as ferramentas que estudamos,sejam elas: escalas, arpejos,passagens cromáticas, bends,vibratos;todas estas então , passam a fazer sentido musical,fazendo com que nossos ouvidos trabalhem junto com  nossas mãos e cérebro.

 

M.O.

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>